Lugares, sons, cores, Hopper, uma tartaruga do deserto… Um convite para conhecer um pouquinho mais sobre a artista Renata de Bonis.

1)Como você desenvolveu seu estilo? Quais são suas principais influências?

Vários pintores me influenciam:
Willhem Sasnal, Luc Tuymans, Richard Diebenkorn, Mathias Weischer, Tim Eitell e todos da Escola de Leipzig, Edward Hopper, Morandi, Corrot, entre muitos outros….
Tenho facínio pela paisagem americana e adoro o jeito como ela foi retratada por Hopper. O modo como ele traz a solidão e a individualidade da vida moderna nas pinturas é incrível.

2) Como você cria suas imagens? Onde você busca inspiração para criar?

Normalmente meu processo de criação envolve o meu deslocamento para fora da cidade de São Paulo.
Viagens para o interior da cidade, para o litoral, para o sul e exterior resultam em material para meu trabalho quando retorno ao atelie.
Viajar  para lugares onde nada  é familiar faz a percepção ficar mais aguçada e  tudo à volta é percebido de outra de outra maneira.
Este momento extremamente solitário é determinante para meu processo de criação.
O olhar voltado à paisagem se torna um momento de reflexão, um momento de afinar os sentidos às pequenas diferenças que vão ocorrendo devido a passagem do tempo e a mudança de clima.
Em julho de 2009  morei no deserto de Joshua Tree na Califórina em decorrência de uma residência artística.
A imensidão do deserto rendeu muitos frutos que refletiram em minha pintura.
A música sempre me influenciou muito, lado a lado com a pintura. Quando viajo, ela tem um papel ainda mais forte, se torna minha companheira e muitas vezes isso fica evidente , como pode-se perceber em : ‘Sound of the suburbs’, “Notes on the Violent Femmes” e “Old Country Song”.

3)Você pode nos contar um pouco sobre a sua exposição “Lost Horse”?

A exposição Lost Horse, em cartaz na Galeria Oscar Cruz até dia 11 de setembro é um apanhado de pinturas a óleo sobre tela que retratam a  minha passagem por diversos lugares ao decorrer do último ano.
Nesta exposição dá pra perceber diversos lugares que passei, dentre eles o deserto de Joshua Tree.
“Lost Horse” é um lugar que fica dentro do Parque Nacional de Joshua Tree. O nome vêem de uma ‘lenda’ antiga, onde um minerador perdeu seu cavalo no meio do deserto e não conseguia achar a saída. Eu visitei este lugar e também me perdi por lá, com um sol de 50 graus na cabeça, e sem água.. Foi assustador, mas no meio desse processo maluco de tentar achar a trilha de volta eu me deparei com uma tartaruga do deserto, o que é muito raro. Dizem que quem consegue ver uma tartaruga tem muita sorte. Foi um dia muito marcante e decidi dar este nome à exposição.

4)Você pensa em se apropriar de novas linguagens, como a linguagem digital, por exemplo, ou investigar novas técnicas?

O trabalho de um artista plástico é um trabalho de vida inteira. Eu vou ficar velhinha e ainda vou estar pesquisando e produzindo. Portanto, acho que em algum momento as mídias digitais vão cruzar o meu caminho… Tenho vontade de fazer road movies nas minhas viagens, e adoro fotografar, mas ainda sem pretensão alguma. Vamos ver para onde isso vai caminhar.

5) Como você vê o futuro para onde sua obra está caminhando?

Para um futuro próximo eu vejo pinturas maiores….

6) Qual é a sua cor favorita?

Difícil. Talvez branco, todas as minhas cores partem do branco. Mas também não consigo pintar sem ter tubos da cor “raw umber”.

7) A sua arte tem som?

Isso é bem maluco. Acho as minhas pinturas extremamente silenciosas; mas, ultimamente tenho conseguido visualizar a pintura e som de um jeito harmônico. Na abertura desta exposição rolou o show do “Os Pólvoras Negras” um trio instrumental. Fiquei surpresa de ver como o som ” casou” com as pinturas. Muita gente se supreendeu com isso na abertura, foi muito bonito, um momento especial.
O vídeo desse ” happening” está agora passando na galeria e também disponível do You Tube, aqui.
Além disso, todas as pinturas tem uma trilha sonora escondidinha (as vezes nem tão escondidinha asssim) por trás. A música faz muito parte do meu processo artístico, mas até então essa relação tinha ficado visível só pra mim.
Estou ansiosa pra ver como vou lidar com isso futuramente.

8) Dentre todas as suas obras, qual é a que mais diz de você?

Que difícil escolher uma……Eu não sei muito bem o porque, mas adoro a pintura Sound of the Suburbs. Ela veio da música com mesmo nome do The Members. Eu adoro esse trabalho.

9) Onde podemos adquirir suas obras?

Em São Paulo, na Galeria Oscar Cruz:
Rua Clodomiro Amazonas, 526, Itaim Bibi – São Paulo, SP
Telefone: (55 11) 3167 0833
info@galeriaoc.com

No Rio de Janeiro, na Galeria Laura Marsiaj:
Rua Teixeira de Melo, 31c – Ipanema
55 21 2513 2074
contato@lauramarsiaj.com.br

Nesta quinta feira dia 2 de setembro, vai rolar um happy hour para marcar a última semana da  exposição. Confira nossa agenda!